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19 de Agosto de 2019

‘Me sinto defendendo outro preso político’

Por Tadeu Breda, Rede Brasil Atual

A. K., Estudante
Publicado por A. K.
há 5 anos

São Paulo – O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh não acredita que a prisão de manifestantes em São Paulo, entre eles seu cliente, Fábio Hideki Harano, 27 anos, baste para dizer que vivemos novamente uma ditadura. Mas vê semelhanças entre os dias que correm e o tempo dos generais, quando ia aos tribunais representar os interesses de militantes perseguidos pelo regime.

“A principal delas é a submissão do Poder Judiciário aos interesses do governo”, compara, pontuando também algumas diferenças. “Naquela época, você sabia quem era quem. Hoje, há gatos pardos. A democracia é cheia de nuances. Já não temos Lei de Segurança Nacional, mas se utilizam das leis de crime organizado e organização criminosa”, cita. “De qualquer forma, me sinto novamente defendendo um preso político, um preso social, um preso político-social.”

Greenhalgh recebeu a RBA em seu escritório no centro de São Paulo na manhã de segunda-feira (4), horas antes de conhecer o resultado das perícias realizadas pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar nos artefatos supostamente encontrados com Hideki e Rafael Marques Lusvargh, 29 anos, também preso em 23 de junho. Os testes concluíram que os objetos eram “inertes” e não tinham potencial explosivo ou inflamável.

Advogado do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), Greenhalgh assumiu a defesa de FábioHideki porque o jovem é diretor de base da entidade – e também porque já representou o jovem em processo administrativo após a última ocupação da Reitoria, em 2011. “Fábio é um ativista. E não existe problema nenhum nisso”, alerta. Além de sindicalista, Hideki trabalha como técnico de laboratório numa das unidades de saúde da universidade. E está matriculado na faculdade de Jornalismo, também na USP, onde já cursou Engenharia e Ciências Sociais.

Ao analisar os fatos e as minúcias do inquérito contra seu cliente, Greenhalgh enxerga uma “conjugação de esforços” entre Ministério Público, Judiciário, polícia e governo do estado de São Paulo para “dar uma resposta” às manifestações que tomaram a capital desde junho do ano passado. Tal “sintonia”, diz, acabou pegando Hideki e Lusvargh como “bodes expiatórios”. Para o advogado, “eles estão servindo como exemplo para que o governo dê satisfações à sociedade em ano eleitoral”.

Greenhalgh já foi deputado federal pelo PT e presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ao comentar a prisão preventiva de seu cliente, encarcerado há 46 dias, critica o peso que juízes paulistas conferem à palavra dos policiais. “Se um policial disse que um determinado fato ocorreu, a Justiça entende que, a princípio, ocorreu. É um erro”, avalia. “Não se pode dar mais valia ao depoimento de um policial do que à palavra de um acusado ou das testemunhas oculares.”

Fonte: http://www.geledes.org.br/sinto-defendendo-outro-preso-politico/

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O estado de São Paulo é o reduto da ditadura no Brasil, a Constituição federal aqui está abaixo da vontade do executivo. Aqui a pirâmide de Kelsen foi demolida. Já vivemos sob o jugo de um governo há 24 anos e a situação do Estado só piorou: educação, segurança, transporte e saúde deixam a desejar a despeito de possuirmos o maior PIB do Brasil. Além disso, o povo de São Paulo sofre com o autoritarismo dessa ditadura de direita mascarada de democracia. Tenho muita vontade de sair daqui e ir morar em outro lugar, mas ainda não possuo recursos para tanto. Para mim, São Paulo é um Estado à parte, tanto por sua cultura quanto por seu governo. continuar lendo